Cursos e oficinas começando em Março!
by victor de seixas on fev.18, 2012, under principal
Começando em Março!
Workshop: Um Corpo Dilatado, treinamento intensivo sobre a Mímica Corporal
Sábado e Domingo dias 17 e 18 de Março das 10hs ás 14h.
Treinamento a partir das relações entre espaço e articulações corporais (escalas corporais, pesos, contrapesos e ritmo‐dinâmico), a fim de aprimorar e desenvolver um corpo dilatado, que apreende o universo criador de modo integral. Técnica de apoio: Mímica Corporal Dramática, incluindo figuras do artista francês criador da linguagem, Etienne Decroux. Coord.: Victor de Seixas.
Dias 17 e 18 de Março (sábado e domingo) das 10h às 14h (30 minutos de pausa)
publico alvo: atores e bailarinos e interessados
é recomendável trazer roupas leves e de cores escuras.
Curso Regular:
Articulações no Espaço: Oficina de Mímica Corporal Dramática e Composição Corporal
Um treinamento completo dividido em dois encontros, uma aula apenas focada no treinamento técnico e um outra aula focada no trabalho criativo e em composição.
Mímica corporal Dramática – Terças-Feiras das 19h30 às 21h30
Sem querer substituir a palavra pelo movimento a Mímica Corporal vem dar a autonomia ao corpo, transformando-o em poderoso instrumento para o ator, aplicando princípios antes somente conhecidos no trabalho com texto escrito/falado, articulação, volume, entonação etc, transformando assim o corpo em um órgão de expressão autônomo e sem o impedimento da utilização de outros elementos no resultado final do trabalho, pois a mímica corporal não e o “fim”, mas o“meio”, um treino para a ampliação expressiva independente das escolhas estéticas finais de quem realiza o treinamento.
“O mímico é um ator dilatado.” – Etienne Decroux.
Composição Corporal – Quintas-feiras das 19h30 às 21h30
Com a aplicação de técnicas voltadas ao movimento e o conhecimento de teorias e visões diferenciadas sobre o corpo, levamos os participantes a vivenciar a construção de uma dramaturgia corporal, unindo a ampliação das capacidades expressivas-cognitivas dos participantes com a experimentação de diferentes formas de criação partindo do movimento, para cada um desenvolver dentro de sua própria experiencia e bagagem cultural caminhos possíveis de expressão e organização de suas ideias/desejos de forma a estruturar um trabalho cênico autoral.
AULAS:
Mímica Corporal Dramática:
Módulo I – de 03 de abril até 29 de Maio
Todas as terças-feiras das 19h30 as 21h30
Composição Corporal:
Módulo I – de 05 de Abril até 31 de Maio
Todas as quintas Feiras das 19h30 às 22h
Público alvo: atores, bailarinos e interessados.
(*) É recomendável fazer as duas oficinas, que foram divididas de forma a ter o treinamento técnico nas terças-feiras e o treinamento criativo nas quintas-feiras.
maiores informações:
http://miolodasartes.com.br/
tel: 11-43018626
email: contato@miolodasartes.com.br
Rua: Paulistania, 136 – Vila Madalena, SP
“Etienne Decroux é talvez o único mestre europeu que conseguiu elaborar um sistema e conjunto de regras comparado com o encontrado na tradição oriental.”
Eugenio Barba
www.mimicas.com.br/miolo.html
fotos do Treinamento com Thomas Leabhart
by victor de seixas on fev.18, 2012, under principal
Treinamento organizado pela Cia Pas de Dieux (Paris-França)
Em Dezembro de 2012 no Studio Philippe Genty - Paris

COM O APOIO DO EDITAL DE INTERCÂMBIO CULTURAL DA FUNARTE, MINISTÉRIO DA CULTURA DO GOVERNO FEDERAL
Darwin, tout Évolue sauf le coeur des hommes
by victor de seixas on fev.18, 2012, under principal
De et avec Victor de Seixas
Producion: Núcleo Angatu (Bresil)vendredi 9 décembre 2011 20h
COMME VOUS ÉMOI
5 rue de la Révolution – 93100 Montreuil
tél. : 01 48 57 05 10
comme.vous.emoi@free.fr
http://www.commevousemoi.fr/
— em Association Comme Vous Emoi
Promo da II Mostra – Agosto de 2010
by victor de seixas on fev.10, 2011, under principal
Leave a Comment more...Entrevista com Victor de Seixas pelo grupo Teatro Ritual de Goiânia
by victor de seixas on fev.10, 2011, under principal
publicado no blog:
http://grupoteatroritual.blogspot.com/2011/02/entrevista-realizada-com-victor-seixas.html
Entrevista com Victor Seixas por Andrea Pita no dia 27/01/2011, às 16:00:
AP: Como começou na vida artística/ começar falando um pouco sobre a sua vida.
VS: Antes mesmo do teatro, eu era interessado por movimento. Era apaixonado por balé desde uns 11 anos, mas sem coragem…eu estava sendo educado para ser jornalista, um pensador de certa forma. Então fiz algumas aulas mas não segurei, larguei… e meus pais me colocaram na aula de inglês. Com 15 anos resolvi voltar. Mas aí eu tive um problema de saúde, fiquei quase um ano usando muleta para recuperar a perna… Segui a vida, me formei como técnico em comunicação. Radialismo, comunicação e marketing.
Durante esse período tive uma namorada que prestou para Escola de Teatro Martins Pena no Rio,acompanhei ela no processo, mas ela não passou e também acabamos terminando. Bem, anos depois, teve um dia, passando na frente desta escola com um amigo, é um casarão antigo no centro do Rio, entramos para dar uma olhada e de longe assisti um pouco de uma aula ministrada por Richard Riguetti, ele usava bastões, cambalhotas, todos vestidos de preto, achei aquilo lindo.
Resolvi entrar no curso para quem sabe perder um pouco da vergonha, daí em diante não parei…
Depois fui fazer a Escola Nacional de Circo no Rio que havia reaberto, isso devia ser em 92 e lá era bem rígido, principalmente com atores, e na sua festa de 20 anos, dei uma entrevista que meti o pau em usar animais no circo e disse que não tinha interesse em seguir carreira em circo tradicional… A matéria foi publicada no Jornal O Globo, e ficou colado no mural da escola, não fiquei muito popular com os professores… A escola nesta época fazia um exame de admissão depois dos primeiros 6 meses de aula, e os alunos tinham que conseguir cumprir com um mínimo de exercícios propostos, cambalhotas, movimentos simples no trapézio, etc, e neste teste me reprovaram, apesar de ter feito acima do que era preciso…
Na época isso me deixou bem chateado, mas no final foi o que me colocou na direção que estou hoje, porque entrei em uma oficina de circo do SATED que era realizada no circo voador na Lapa, lá acontecia muita coisa ao mesmo tempo, e foi onde tive meu primeiro contato com dança contemporânea e conheci um mímico que estava fazendo aulas de palhaço, o Jiddu Saldanha. Achei a forma que ele se movia, articulava fascinante, estranho, diferente… Nesta época não tinha ideia do que era mímica. Achava que era aquele jogo…aquele…
AP: De imagem e ação?
VS: É. Bom, fiz oficinas com ele e depois fui pra São Paulo. Fiquei atrás do Fernando Vieira um tempo… Na época não tinha internet, livros, eram poucos profissionais que necessariamente não eram acessíveis. Era algo muito solitário. Fiquei 9 anos assim, um workshop alí, outro lá, treinando sozinho ou com poucos amigos.
E a partir de mais ou menos de 95 comecei a assinar meu trabalho como mímico e palhaço, essa foi a única herança que carreguei do circo…
Nesse ano estreei meu primeiro trabalho solo, chamava “One clown show!”, dentro da linguagem do palhaço e mímica. Vivi quase exclusivamente deste espetáculo pelo menos 1 ano, viajando São Paulo e interior. Era raro solo de palhaço na época…
Mas chegou um momento que fiquei cansado de subir e descer escada, de parede invisível… queria mudar um pouco, mas não sabia muito para onde ir, isso era meados de 1997/98, quando internet começava a ficar mais acessível e comecei a pesquisar a história da mímica. Era engraçado, percebi que os livros de teatro não citavam a mímica, como se não pertencesse às artes cênicas. Tinha o Marcel Marceau, que era famoso, mas eu não queria mais isso, buscava algo diferente do que eu já vinha fazendo, pois como toda forma estética, esse tipo de mímica tem suas limitações. E aí descobri o Decroux, pai da mímica moderna, mas se tinha disponível poucas informações, nada em português e sempre tudo coberto por uma áurea estranha, uma figura emblemática, enigmática.
Quando em 99 vi que aconteceria uma oficina de Mímica Corporal Dramática no ECUM em Belo Horizonte, com a Ana Teixeira e Stephane Brodt da companhia AMOK. Tava meio sem grana, mas consegui pagar o curso e não tinha onde ficar, aí falei com uma amiga de BH, que conseguiu um lugar com outro amigo dela, o Guilherme que gentilmente me hospedou em sua casa e por acaso descobri depois que ele era um dos organizadores do ECUM, mas enfim, fiquei fascinado por aquilo, tinham duas turmas por dia, manhã e tarde, e eu fiz as duas, eu comecei a fazer de manhã e pedia para assistir à tarde. Por fim eles perguntavam se eu queria fazer e lá ía eu. Ficava morto. Era super-puxado, coisa de 6 horas cada turma. Mas valia a pena.
Quando voltei pra SP tava tão animado que resolvi criar um grupo de estudos. Aí fiquei tentando trazer a Ana Teixeira para sampa, mas era difícil, eu não conseguia juntar gente suficiente. As pessoas não se interessavam pela Mímica Corporal.
AP: Que engraçado porque em Campinas era uma perspectiva até bem conhecida. Bom, por causa do Burnier,é verdade. E depois com o Lume…
VS: É, mas nesta época, talvez fosse uma coisa particular de Campinas… Só que tava tão entusiasmado e o curso foi tão avassalador que montei um espetáculo, o M.C.C.R.E.² , (movimentos comuns e cotidianos repetidos ao extremo e ao quadrado) que estreou no Centro Cultural São Paulo. Hoje vejo o vídeo e acho uma bomba, mas acredito que foi algo bem corajoso de minha parte.
Em 2001 meu pai morreu e aí eu pensei, quando a gente quer fazer algo na vida, tem que fazer logo porque tem pouco tempo para isso. Pesquisei qual seria a melhor escola para se estudar a Mímica Corporal Dramática, mas na hora de pedir indicações todos que tinham um certo conhecimento desconversavam, algo bem estranho, mas foi o Luís Louis quem me confirmou a qualidade da escola na Inglaterra. Vendi tudo que tinha, saí todo endividado e cheguei lá com pouquíssimo dinheiro. Fui em 2001, no meio do apagão elétrico, o Brasil estava em recessão econômica, quebrado, triste, nenhuma perspectiva e sem financiamento nenhum, a libra esterlina valia 6 reais e oitenta centavos, a Escola cobrava 300 libras por mês…
Cheguei lá e tinha de arranjar tudo: casa, trabalho, nessa época até que era mais fácil que hoje por lá, até pela questão do visto. Por fim consegui fazer os 3 anos de formação e cheguei a pensar ficar mais tempo na escola, quando acaba o curso se decidir ficar mais um pouco, você é automaticamente convidado a ficar na companhia, mas depois de um treinamento tão intenso acabei preferindo sair e continuar estudando técnicas que completassem minha busca.
Quando saí da escola, saí quase sem voz. O clima era muito rígido. Imagina viver 3 anos só aquela realidade, a vida girava em torno da escola, as amizades a vida social, tudo, quase que viver em uma nova família. Mas a escola não tinha e acho que ainda não tem, um trabalho de voz adequado para aquele trabalho corporal. Eu tinha uma rigidez , uma tensão na área abdominal forte, não era algo ruim mas precisava de um trabalho de voz específico. Eu quando estudei teatro na Martins Pena no Rio, conheci só o trabalho convencional de voz, que é aquele normalmente usado pro canto lírico que usa muito o abdômen, o diafragma projetando para fora. E eu saí da escola com abdômen muito seguro e muita tensão no pescoço, então não conseguia falar. Precisava de técnicas complementares. Acabei indo pro Dance Research Studio, onde eles trabalham sobre a técnica de Alexander .
AP: Mas você foi fazer trabalho de voz numa escola de Alexander?
VS: Voz não era o forte e o principal foco deles, na verdade era uma preocupação, de se mover, dançar e poder falar, cantar ao mesmo tempo. Fazia mais pelo relaxamento, por um corpo mais solto. E isso me abriu, me “salvou”. Pude reencontrar os órgãos dentro do meu corpo. Cheguei com um corpo, saí com outro corpo. E principalmente me ajudou a des-neurotizar, da pressão psicológica e da rigidez quase militar da escola.
Hoje em dia não uso Alexander no processo de treino, mas foi bom ter passado por ele. É como massagem, não tenho o interesse de estudar como se faz massagem, mas gosto de fazer massagem de vez em quando.
Tem gente que precisa pegar o que lhe interessa para criar algo novo, existem vários espíritos diferentes, o meu já não, não sinto a necessidade de criar algo novo, diferente, me satisfaz conhecer, estudar algo em profundidade, neste caso a Mímica Corporal Dramática me foi passada com muito carinho e tenho honra de continuar esse processo, mas não acredito em coisas “sagradas” acredito em legado, de aceitar continuar e desenvolver o estudo.
AP: Mas parece que você fez um espetáculo experimentando vídeo…
VS: Tem duas frentes. Separo as 2 coisas, o Núcleo Angatu e o Projeto Mímicas. No Projeto Mímicas eu estou como educador, pesquisador, mímico corporal, compilando técnica, para próximas gerações, onde também é importante preservar e continuar diálogo com a contemporaneidade, cuidando de não tratar a Mímica Corporal como algo sagrado que não pode ser mudado. Como no Pilates, por exemplo – eu fiz Pilates depois de sair da escola de mímica – hoje o Pilates usa bola, borrachinha, anéis, mas no Pilates original não tinha isso, e no entanto isso é puro Pilates, mesmo o próprio Joseph Pilates não tendo usado. A Mímica Corporal também deve estar em desenvolvimento e dialogar com o contemporâneo. Muitas pessoas da minha geração ainda não sacaram como o mundo está diferente. E teve a primeira geração dos professores que estudaram com o Decroux, eu sou da segunda geração e terá uma terceira, minha geração tem a obrigação de deixar algo para a técnica, não apenas copiar a geração anterior. Então a gente tem que compilar, mas também dialogar com o fazer teatral atual, permitindo que a técnica cresça e continue se desenvolvendo, como no exemplo do Pilates.
Com o Núcleo Angatu nós criamos espetáculos, performances, utilizamos a Mímica Corporal mais como treinamento, formação e acrescentamos outros elementos que forem necessários. No “Darwin”, por exemplo, que é um espetáculo da companhia, tenho um trabalho de pesquisa em que não assino como Mímico Corporal, até porque se usar a palavra Mímica, a plateia vai querer ficar tentando adivinhar o que acontece, que não é o caso do espetáculo. E eu mesmo não sei se é dança, teatro físico, teatro gestual, dança teatro, posso entrar em qualquer edital desses, hoje em dia, as bordas da criação estão muito ali uma em cima da outra, esses tempos de multi-formações e multi-informação, deixou todos os limites da criação muito próximos, quando não um sobre o outro, mas ainda existe as especialidades, dança é dança, circo é circo, as especialidades são bem definidas com seus treinamentos bem específicos, mas na hora de criar, esse artista não necessariamente precisa seguir definições, pode navegar, acrescentar, misturar…
AP: Eu fiz algumas aulas de mímica na minha vida. Uma oficina com a Denise Stocklos, uma aula com o Burnier, uns treinos com pessoas que estudaram com o Lume. Achava que a mímica era muito dura. Me lembrava um pouco o balé clássico nesse sentido, onde você tem de ter uma postura um tanto quanto rígida e também achar os encaixes certos. Como se eu tivesse sempre que correr atrás de um corpo padrão que necessariamente eu não tinha, o que me deixava tensa. Mas eu estava vendo uns vídeos, vi Decroux, vi Thomas Leabhart e percebi que eles não têm essa tensão toda, pelo contrário…
VS: Tem uma coisa que é a estética que vem junto com a técnica. Por exemplo a discussão eterna sobre palhaço e clown. Vamos analisar a história: como começou o uso do termo clown no Brasil. Na Inglaterra tinha a escola do Gaulier, e lá se fala inglês, palhaço em inglês é clown, não há mais de um termo para se definir por lá, aí o cidadão foi estudar com ele, aprende a técnica e leva junto a estética do professor, um cara francês, europeu, nascido no século passado, o aluno fica impregnado pela estética dele que pertence a uma tradição francesa, volta ao seu país e mantêm o termo em inglês para diferenciar seu trabalho, mas no final é tudo a mesma coisa, apenas uma diferença na estética, pois o palhaço brasileiro é muito diferente do palhaço francês, são tradições e culturas diferentes. A estética quase sempre vem junto com a técnica, afinal aprendemos copiando, é algo até natural.
Na escola que fiz a técnica vinha junto com a estética. A rigidez então não está na Mímica Corporal, mas em alguns professores, nós trazemos tudo junto e temos depois que passar por um processo de apropriação.
As próprias peças de repertório são um exemplo disso, podemos encontrar muitas variações sobre esse trabalho do Decroux. Mas aí também entra outra questão que é o intérprete. O Decroux era um leão, uma voz profunda, personalidade maior ainda e isso impregnou suas peças, mas era sua estética.
Uma vez um amigo músico me disse. Eu toco Caetano, mas da minha forma, a minha interpretação sobre a obra dele, não anula a genialidade de Caetano na obra, mas se o imitasse sim, isso mataria a obra.
Isso é importante, a apropriação, não saindo imitando e copiando exatamente da forma que você aprendeu, pois o objetivo disso é o treinamento e a parte importante dele é aprender ter autonomia.
As peças e figuras de repertório não são muito interessantes como espetáculo, mas eu com uma parceira de minha companhia, a Rose Prado, fazemos um espetáculo-demonstração como forma de demostrar o potencial e apresentar o trabalho criado por Decroux. Para sua criação estudamos as formas que aprendi na escola junto com vídeos antigos do próprio Decroux, recriamos as peças entre os vídeos antigos e mais novos, dependendo do que encaixava melhor ao nosso corpo. Mas veja bem, agora posso fazer isso, porque estou desde 1999 estudando A Mímica Corporal, por isso me sinto capaz de fazer isso, interpretar é algo natural e necessário, mas recriar já é algo que precisa de experiência…
AP: Na mostra que vocês fazem de mímica em SP tem um momento que é voltado para o corpo brasileiro. Como é essa questão para vocês?
VS: Por enquanto é mais uma preocupação, não uma ação concreta, pelo menos ainda. Durante a Mostra, a gente sempre tenta conhecer mais o trabalho dos convidados. Tem por exemplo o George Macarenhas. (Círculo de Mimos- BA) Ele tem a maior produção teórica no Brasil sobre mímica e está sempre na ativa, na prática. Vive em Salvador, dá oficina em Salvador. Aí eu sempre pergunto para ele: mas George, e o corpo baiano? E o corpo negro na mímica? Raramente se vê mímicos negros. Dei aula uma vez para um nativo-brasileiro, mas nunca para alguém realmente negro. Para George já é natural. Segundo ele, movimento é universal . Como na música, a teoria musical é a mesma base para tudo e pode ser usada por qualquer raça, qualquer credo. Tudo bem, é uma linha europeia, mas nas mãos dos negros americanos nasceu o jazz… no nordeste criaram o forró…
AP: Mas no caso da mímica você tem uma técnica que pode se transformar numa linguagem. E de repente com a criação no Brasil de espetáculos pode-se estar criando novas linguagens que poderão redundar futuramente numa técnica diferente…
VS: Se não me engano, a viola caipira no interior de Minas é tocada em mi menor. Bom, aí veio no Brasil o guitarrista do Rolling Stones, viu e pegou. Hoje é mais uma opção no modo de tocar rock. Acredito que o trabalho do George vai chegar a modificar a técnica que vai ter que servir àquela cultura. Se uma técnica não serve para uma cultura, joga no lixo. A gente no Projeto Mímicas está tentando ampliar o projeto, conseguir mais verba para chamar grupos de pessoas de danças regionais, capoeira, para ter vários elementos juntos. Transmutando você está preservando. Assim aconteceu com o Pilates, que criou uma forma nova de ver a ginástica. Decroux abriu uma porta, categorizou formas de se articular com o corpo e no espaço. Ele (Decroux) antes de tudo era um anarquista, ligado a movimentos políticos, acredito que ele odiaria ver a Mímica Corporal se transformar em uma “seita”, cheia de seguidores. Por isso que foi tão importante para mim o intercâmbio com o Thomas Leabhart, através dele eu pude conhecer um Decroux filósofo, pensador, diferente do Decroux mestre que tinha conhecido por outros professores.
AP: Nem quando ele voltou de Nova York?
VS: Acho que o Decroux ficou traumatizado depois de Nova York. Tenho uma teoria de que foi pra ele um choque cultural. Logo que o Decroux saiu da Vieux Columbier, as pessoas começaram a ver e se interessar. Nova York na época tava em pleno boom cultural e olhava tudo o que acontecia no mundo para trazer para si, Decroux provavelmente chegou lá e sentiu aquele business todo. Quando voltou, mudou radicalmente, se concentrou em sua pesquisa, evitando grandes apresentações, lecionava apenas no porão da casa dele, na periferia de Paris, onde vivia e por vezes fazia pequenas apresentações no seu estúdio no porão ou na cozinha de sua casa.
As pessoas tinham que ser convidadas para assistir e tinham passar por sua palestra as sextas feiras, e ele falava muito. Decroux depois de NY passou a desenvolver a sua Mímica Corporal como um artesão.
Por causa da Mostra, a gente vai conhecendo pessoas que tiveram contato em diferentes épocas com Decroux, daí cada um tem uma visão. Decroux era capaz de ficar estudando o braço um mês, dois meses, as vezes ficava obcecado com uma parte do corpo e pesquisava aquilo por um tempo, então você acaba encontrando alguém que estudou só 2 meses com o Decroux e para ele, a Mímica Corporal é só estudos de braços por exemplo. O Decroux que Desmond Jones conheceu por exemplo era diferente do Decroux de meus professores, que já era diferente do Decroux do Thomas… O Marcel Marceau por exemplo estudou com ele num momento em que Decroux estava preocupado com a ilusão, com a forma descritiva, e foi isso que ele levou mais adiante…
AP: Lembro-me que uma vez assisti a uma aula-demonstração de Denise Stocklos e se não me engano Denise, ao falar das diferenças entre mímica e dança, comentou que a dança trabalha mais com a parte debaixo do corpo e a mímica com a parte de cima.
VS: Então, isso é talvez porque ela estudou com o Desmond Jones, e tenha se focado na ilusão, pois a Mímica Corporal trabalha muito a base, o estudo do deslocamento do peso e articulação no espaço, mesmo sendo a grande preocupação do Decroux com o torço, por isso o simbolo do cavala marinho, um tronco articulado…
AP: Como você explica as diferenças entre mímica descritiva e mímica abstrata?
VS: Na mímica descritiva você descreve o objeto. Na abstrata você se preocupa com o estado, a relação de peso esforço o estudo da ação do homem quando interage com o mundo físico. Na mímica descritiva, tem a ilusão de puxar uma corda, o interno não importa, mas o que tá fora, o que está no final da corda, enquanto na abstrata se preocupa no efeito da ação, do esforço de puxar a corda, a transcrição do meu processo emocional e mental enquanto sofro a ação de puxar a corda, é meio clichê, mas a frase do movimento Balhaus absorvida por Decroux, tornar visível o invisível.
AP: E o que diferencia a mímica da dança?
VS: Eu gosto de uma definição de Ana Teixeira em que ela diz que Mímica é tudo o que ser humano faz quando não está dançando, ou seja, é a ação do homem no seu meio, mas você pode me dizer, a dança de hoje também faz isso! Hoje a dança é tão ampla, tão complexa , tem tantas pesquisas. Se eu digo que a mímica trabalha com peso, a dança hoje também. Se digo que trabalha com a articulação, a divisão do corpo em partes, a dança hoje também faz isso. Que só a mímica trabalha com o esforço, com a ação do corpo no mundo, também seria mentira. Então penso na essência de cada especialidade, a dança para ser dança precisa de trabalhar sobre a ação do homem no mundo? Não, a dança pode ter isso, mas não necessariamente precisa disso para ser dança, a mímica precisa. Vou pra essência para achar a diferença.
Tem gente que estuda Mímica Corporal e faz um espetáculo de dança contemporânea e tem gente que estuda Mímica Corporal e faz teatro realista…
Eu acredito também que a Mímica Corporal é uma técnica de treinamento, pode-se fazer experimentos e construir um espetáculo de teatro ou de dança com essa técnica, mas a mímica não é dança porque a dança tem signos fortes.
Outra frase que eu gosto é que a Mímica Corporal faz ator se mover como um bailarino e bailarino ter força expressiva de um ator.
AP: Algumas pessoas dizem que com Deburaux a mímica consegue independência. Quando você acha que a mímica adquire esse estatuto independente?
VS:
A mímica é algo natural ao homem, é uma das nossas formas de comunicação, quando não podemos falar, por exemplo em um país que não dominamos a língua, vamos naturalmente tentar nos comunicar pelos gestos, e sempre esteve presente na história das artes, como por exemplo na Commedia dell´arte que se utilizava da mímica, pois como era apresentada em feiras livres barulhentas e também com aquele monte de dialetos da Itália, os atores acabavam se utilizando de arquétipos e do gestual. Quando comecei a fazer pesquisa de livros sobre mímica, descobri que havia mímica como matéria em algumas escolas de balé, tinha por exemplo o portrato de dor que era assim…(faz gesto colocando dorso da mão sobre a testa). A mímica estava presente no teatro umas épocas, na dança em outras, mas nunca como arte autônoma.
Isso começou na França, com os comediantes italianos em Paris, havia os teatros nobres, oferecidos para os nobres pelo estado e os Teatros privados, que eram para a povo, os quais os comediantes italianos se apresentavam. Uma vez houve um espetáculo em que os italianos fizeram piadas de mal gosto com a amante feia do rei. O rei, com raiva, não podendo decapitar nenhum dos artistas, que provavelmente não seria uma medida popular, colocou uma lei dracônica em que nos teatros populares não se poderia mais falar, foi aí que esses comediantes que carregavam toda uma tradição da Commedia dell´arte, criaram um teatro sem palavras, a pantomima ganhou força como forma autônoma, mas esta performance criada pelos comediantes italianos ainda não tinha técnica, era um estilo que foi sendo copiado, algo bem intuitivo. A técnica específica para a Mímica enquanto forma autônoma só acontece com Decroux.
É importante salientar que a mímica vai além da pantomima, que é um gênero/estilo dramático que se utiliza da mímica. Como querer resumir dança apenas pelo balé clássico, que é apenas uma das formas de se dançar.
AP: Como é pra você estar convivendo com o Teatro Ritual durante esses dias?
VS: Fico feliz pelo interesse. Sou um entusiasta da mímica. O problema da Mímica Corporal é que ela não é da cultura do supermercado. Precisa de exercício regular, depende da repetição. Fico feliz que tenham interesse em treinar, em conhecer, e como sou contra reserva de informação, conto tudo, e espero que as pessoas façam bom proveito.
Acho legal que se preocupem realmente com pesquisa. Muitas pessoas adoram falar que fazem pesquisa. Mas em geral ,no fundo, só querem e se preocupam mesmo é com os resultados. O discurso é um, a prática é outra, quando é assim, normalmente querem fazer uma experimentação rápida superficial para chegar num resultado final logo.
Fico feliz de estar em contato com gente que tem pesquisa realmente. Mas mesmo sendo contra a reserva de informação não vou entregando o ouro assim tão fácil, só quando vejo que vai ser bem aproveitado, esse é meu capricho. Se o pessoal quer truques, eu não dou, e aí nas aulas eu “maltrato”. Não é para isso que me dediquei tanto tempo pesquisando e ainda sigo insistindo.
No começo era mais difícil, tinha o estigma da palavra Mímica, que se fosse resultado somente da herança da pantomima clássica ainda estava bom, mas tivemos aquela coisa de sombra, algo artisticamente, se é que era artístico, de péssima qualidade.
A mímica exige muito e eu fico feliz em ver grupos de fora de SP com mais tempo para desenvolver trabalhos de qualidade, na verdade são os que mais me interessam. Na Inglaterra, por exemplo, tem poucas coisas interessantes na capital, as companhias mais interessantes e com trabalho mais consistente estão no interior, são grupos que trabalham juntos há mais tempo, que têm mais tempo para pensar, de se conhecer, de refletir, contemplar. Algo que não acontece muito nas grandes capitais, devido a loucura da rotina, é a interação entre artistas, se troca muito pouco por falta de tempo para isso, e vejo muitos grupos buscando apenas “truques”, algo que se aprenda rápido se use por um tempo e depois na mesma velocidade será esquecido…
Algumas vezes, sou chamado para resolver “problemas” para certos grupos, que resolvem fazer um trabalho mais físico em São Paulo, mas esquecem que tudo precisa de tempo e dedicação, montam o projeto, e quando entram na sala de ensaio percebem que não sabem o que fazer com o corpo… Chama o especialista que ele resolve esse problema!
Por exemplo desta rotina louca, em São Paulo tem algumas unidades do Sesc que só contrata um vez o espetáculo, uma vez, mesmo que você tenha apresentado a dois anos atrás e leve seu projeto, eles dizem, mas você já apresentou esse aqui! Querem um espetáculo infantil novo por ano, e o que você faz com o outro? Joga fora? Isso gera essa cultura de supermercado… Além disso, se quiser ter seu projeto aprovado, você tem que ficar criando projetos mirabolantes com milhares de eventos e atividades para conseguir o dinheiro do apoio/patrocínio, se transformando mais em “homem de negócios” que artista.
Acho que o Teatro Ritual tem uma linguagem em comum,qualidades e dificuldades em comum. E isso é muito bom, e principalmente parecem saber o que querem em teatro. Com eles foi a minha primeira turma que em pouco dias de treino quase conseguimos montar uma difícil peça de estudos do repertório chamada “ A Fábrica”, de Decroux, não me lembro de ter ido tão longe com outro grupo.
by victor de seixas on jul.10, 2009, under principal
FESTIVAL INFANTIL DE ESQUETES
Olá meu nome é Alexis Ferreira,tenho um projeto social chamado Nós do Interior www.nosdointerior.com.br onde dou aulas de teatro para crianças carentes da minha cidade.Estou produzindo um festival infantil de esquetes para trazer cultura aqui para o interior do Rio e sociabilizar as crianças com a cultura.Para tanto preciso do apoio cultural de vocês para divulgar esse festival na pagina principal de vocês,em contra partida coloco o link de vocês no nosso site e quero convida-los para participar do festival onde trocaremos com as crianças experiências muito bacanas,venham se juntar a nós e espalhar alegria para as crianças do interior.A ficha e o edital está disponível no site do Nós.Haverá hospedagem gratuita para todos que moram fora do estado
na certeza do apoio de vocês agradeço pelo carinho e compreensão
Grato Alexis Ferreira (diretor do projeto) 21-2734-3075/8776-3849
I Mostra de Mímica Contemporânea
by victor de seixas on jul.04, 2009, under principal
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Entrevista de 2006
by victor de seixas on mai.24, 2009, under principal
Entrevista realizada em 2006 por Laura Lucci para sua tese de mestrado.
ENTREVISTA COM VICTOR DE SEIXAS
P: Victor, fale um pouco de você e de como e quando conheceu a Mímica Corporal de Decroux.
R: Só para deixar claro uma questão semântica importante, não existe Mímica Corporal do Decroux existem os princípios (técnica) criados por ele que se chama Mímica Corporal Dramática, utilizados por diversos profissionais que continuam os desenvolvendo conforme suas escolhas estéticas, podemos inclusive afirmar que toda a Mímica ocidental contemporânea tem origem na técnica criada originalmente por Decroux.
Meu primeiro contato prático com a técnica foi em um workshop em belo horizonte, em 2000(?) dentro do ecun, em uma oficina com a Ana Teixeira e o Stefane, onde conheci você também. Andava nesta época estudando a origem da técnica que eu já utilizava há algum tempo, e na pouca literatura que encontrava chegava sempre a esse nome, Decroux, quando vi a oficina em minas não pensei duas vezes, corri para lá…
Comecei na Mímica em 1993, nesta época minha busca em teatro era dentro de uma linha mais “grotowiskiana”, quando fazendo aulas de circo no circo voador conheci o mímico jiddu, fiquei fascinado pela qualidade de seu movimento e acabei “colando’ nele para aprender mais, mudei para são Paulo e fui atrás do Fernando Vieira que me ensinou muito também, ate que um dia sem perceber, já não assinava mais como palhaço ou ator e sim mímico.
Na Europa, alem de me formar na escola de Mímica Corporal, fui atrás de outras técnicas que acredito ajudam a complementar a minha busca por um teatro baseado no movimento, mascaras, dança, preparação física, respiração torácica e manipulação de objetos, mas posso dizer que a técnica da Mímica Corporal hoje norteia meu trabalho.
P: Após seus estudos na Inglaterra, como você vem usando e aplicando a Mímica Corporal Dramática? (aulas, workshops, direção, atuação).
R: Como disse anteriormente a Mímica Corporal hoje em dia norteia meu trabalho, até mesmo quando ministro uma oficina ou dirijo algo que não e de Mímica Corporal, eu utilizo seus princípios, o treino dentro dos princípios da Mímica Corporal deixou minha visão sobre o movimento mais sofisticada e o conhecimento sobre qualquer assunto e um caminho sem volta… Alem de ter mudado a minha relação com o movimento dentro do meu corpo e meu corpo em relação do espaço.
Estou dando cursos regulares de Mímica Corporal e também apresentando um solo e buscando verbas para projetos com elencos maiores treinados por mim.
Acredito que o meu treino na Mímica Corporal ainda não acabou, a primeira etapa foram os três anos na escola onde aprendi a técnica agora estou em uma segunda etapa, onde e a hora de eu codificar tudo que aprendi em meu corpo e minha expressão, e um processo contínuo de pesquisa e treino, para poder entrar em uma terceira etapa de transformação em uma técnica pessoal e dar continuidade a o desenvolvimento da técnica…
Por isso que considero importante a “decodificação” do que aprendi para ensinar também, dar aulas atualmente de Mímica esta complementando meus estudos e na aplicação pratica da técnica.
P: Você percebe alguma diferença ou dificuldade em aplicar uma técnica européia aqui no Brasil? É necessário fazer ajustes na relação ensino/aprendizado?
R: E importante se criar um diferencial entre a técnica e a estética do profissional que a ensina, e muito comum de se fazer confusão entre o estilo pessoal do professor e o que ele ensina.
A técnica da Mímica Corporal é universal, o Decroux era francês, isto e, a abordagem dele sobre a técnica era francesa, o estilo dele, a forma que a técnica se apresentava por ele estava impregnado por sua bagagem cultural.
É muito comum sair de uma escola carregando a técnica com as características culturais do professor e é um processo necessário incorporar a técnica em seu estilo pessoal e sua bagagem cultural para que se torne orgânico e não uma repetição, pois a combinação estilo+técnica de uma pessoa só vai funcionar para o original o resto será uma copia distorcida.
Infelizmente a maioria das pessoas, em qualquer lugar do mundo, procuram formulas mágicas, são poucas que realmente se comprometem em um treino intenso e regular, tive experiências de dar aulas em Londres e na Escócia e encontrei poucas pessoas interessadas em se dedicar a algo em longo prazo, e na verdade fui eu que tive fazer o “ajuste” para dar aulas lá na Europa me adequando a cultura deles.
Aqui no Brasil ainda acho mais fácil trabalhar com o corpo, talvez por nossa cultura ligada a celebração, a dança, aqui encontrei mais pré-disposição a se expressar pelo movimento do que na Europa que normalmente demora-se mais para “se deixar levar”, alem de ser difícil dar aulas sem poder tocar nos alunos, nós aceitamos isso com mais facilidade.
P: Que princípios, a seu ver, são mais importantes na Mímica de Etienne Decroux e como você se apropriou deles para seu trabalho pessoal?
R: Só queria deixar claro que a Mímica do Decroux deixou de existir desde que ele morreu, o que ficou foi sua criação que e uma técnica fantástica chamada de Mímica Corporal Dramática, técnica dividida em parte conceitual e parte pratica, a parte conceitual é um convite para observar o movimento interCorporal e extraCorporal de uma maneira nova e mais detalhada e na parte pratica são exercícios para a ampliação da capacidade expressiva do ator, dando-lhe controle de suas articulações, mais coordenação, controle sobre a tensão/ relaxamento, sensibilidade extraordinária sobre o espaço e seus níveis de energia em cena amplificando sua presença em cena.
Como disse antes, o treino da Mímica Corporal deixou meu movimento e minha percepção mais sofisticados, me dando a liberdade de até não usá-los se necessário.
A influencia desse treino foi tão forte que não posso dizer que me apropriei da técnica, mas a técnica transformou meu trabalho pessoal e hoje, dá a forma ao que faço e a minha pesquisa pessoal.
P:Como você enxerga as possibilidades da Mímica Corporal no teatro do século XXI?
R: A Mímica Corporal Dramática e uma técnica, não um gênero de teatral, ainda ha muita confusão sobre esse assunto, não existe um teatro chamado teatro da Mímica Corporal, existe trabalhos realizados se utilizando dos conceitos da Mímica Corporal na sua concepção e existe o trabalho Corporal do ator amplificado pelo treino da técnica.
A Mímica Corporal não e o fim, mas o meio.
A aplicação da Mímica no processo / treino resultará em um teatro onde o corpo e o principal meio da expressão do ator.
A Mímica Corporal tem apenas 80 e ainda e a técnica mais contemporânea neste sentido, e ainda tem muito que crescer, por isso e importante os novos profissionais de agora, “esqueçam” Decroux e comecem dentro dos princípios deixados por ele a dar continuidade ao desenvolvimento da técnica.
Costumo fazer uma analogia com a técnica de pilates, onde o próprio Pilates desenvolveu novos princípios para ao treino Corporal e reabilitação, e mesmo depois de sua morte, sua técnica não parou de crescer e se desenvolver criando até variantes pelos profissionais que vieram depois dele.
A Mímica Corporal esta apenas começando e são poucos os que a conhecem, e para atrapalhar, existe muita confusão e preconceito contra a palavra “Mímica”, mas acredito que em alguns anos será algo natural e presença obrigatória na formação de atores.



